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	<title>Cultura &#8211; Norma Braga</title>
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	<description>Belas para a Glória de Deus</description>
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		<title>Top  Ten 2022</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jan 2023 16:53:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[Este ano, com exceção de Elton John, Cavaco e Vargas, minhas leituras foram bem direcionadas para a questão que mais tem me interessado hoje — abuso, sobretudo cometido contra mulheres,...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este ano, com exceção de Elton John, Cavaco e Vargas, minhas leituras foram bem direcionadas para a questão que mais tem me interessado hoje — abuso, sobretudo cometido contra mulheres, e a teologia que eventualmente possa sustentá-lo.</p>
<p><em>Eu, Elton John</em></p>
<p>A história de Reginald Dwight (seu nome real) e de sua desconexão consigo nos faz entender melhor a melancolia presente em muitas de suas canções. Ele aplicou esse aprendizado ao próprio métier: “Fazer um disco por má-fé nunca é uma boa ideia. Por mais cuidado que se tome, o espírito penetra na música: dá pra perceber que a motivação não é honesta”. Penso que se diria o mesmo não só de boa parte da arte de nossos dias, mas também alguns livros e artigos teológicos cuja desconexão com a vida se faz presente. Eu sentia isso com livros do Ravi Zacharias, por exemplo, muitos anos antes da descoberta de que era um abusador: formulações descuidadas, má argumentação e artificialidade nas palavras, como se o autor as montasse como Lego em vez de usá-las para expor a si mesmo ou o que crê. O texto revela até mesmo quando é produzido para ocultar; precisamos de sensibilidade para ver.</p>
<p><em>The devil inside</em>, Jimmy Hinton</p>
<p>Depois que Hinton denunciou seu grande modelo de vida e ministério, o próprio pai pastor, por abuso de crianças na igreja, não há desculpa alguma para o líder que prefere encobrir abuso para proteger a instituição em detrimento das vítimas. Através da confissão do abusador, o leitor tem acesso a uma sólida instrução sobre como esse tipo de abuso acontece, tornando-se mais apto a reconhecê-lo e evitá-lo. Outro ponto forte do relato de Hinton é a linguagem direta, crua, honesta, com alma. Imperdível.</p>
<p><em>Hearing her voice</em>, John Dickson</p>
<p><em>Why can&#8217;t women do that?</em>, Philip Payne</p>
<p>Esses são os livros de teologia bíblica “fora da bolha” que li esse ano. Com interpretações alternativas a textos bem conhecidos sobre mulheres, provocaram-me à reflexão e me revelaram que, no meio evangélico mais amplo, há muito mais controvérsia sobre esses textos do que gostaríamos de admitir.</p>
<p><em>This little light</em>, Christa Brown</p>
<p><em>Prayed upon</em>, Amy Nordhues</p>
<p>Dois casos de abuso sexual feitos em nome de Deus, ou seja, conjugados a abuso espiritual. Muito tocantes e também esclarecedores. Christa Brown é uma das sobreviventes de um líder de jovens da SBC. Era pré-adolescente quando se deu o abuso e espera há décadas por justiça. Amy Nordhues fez terapia com um psicólogo cristão que era na verdade um abusador. Assim como Christa, ela documentou seus diálogos, mostrando  como o abusador aos poucos se apropria da consciência de sua vítima e tira dela o que deseja. Se por qualquer motivo seu líder espiritual alegar que você precisa engajar-se sexualmente com ele, esse líder é um abusador e não deve ser ouvido: é lobo que se aproveita das ovelhas em vez de ser o bom pastor que se doa por elas. Aproveito para pedir orações por Christa, pois ela não consegue mais se aproximar de Deus por causa de seu trauma.</p>
<p><em>O estigma da cor</em>, Jacira Monteiro</p>
<p>Manifestado em palavras e ações, o racismo é uma espécie de abuso. Fere fundo e cria divisões terríveis entre nós. Jacira corajosamente coloca o dedo nessa ferida e nos chama à consciência.</p>
<p><em>Arame farpado no paraíso</em>, Tiago Cavaco</p>
<p>Cavaco é um pastor português que veio ao Brasil e relatou suas impressões, entremeando-as de críticas não só à mentalidade de nosso tempo, mas à cultura evangélica como um todo. Uma de minhas preferidas foi contra nossa inibição de usar uma linguagem sincera para descrever dores. “Damos um tiro no pé quando apresentamos um evangelho que filtrou para fora de seu discurso os abismos da existência — os cristãos devem ser primeiramente exploradores de grutas, e só depois alpinistas. Sem convicção a falar do que é mau, diminui a pertinência falando do que é bom”. Essa tem sido minha ênfase há muitos anos, e sempre fico feliz ao encontrar alguém que não está interessado em dourar a pílula da vida, mas se apresenta como gente de verdade falando para gente de verdade.</p>
<p><em>Um lugar incerto</em>, Fred Vargas</p>
<p>Mais um romance policial incrível desta que é uma Agatha Christie “bombada” na diversão, nos meandros da história e na linguagem mais cuidada e literária. Só queria que a autora fosse tão prolífica quanto Christie e eu pudesse ler uma aventura do delegado Adamsberg por ano até o fim da vida.</p>
<p><em>Uma igreja chamada Tov</em>, Scot McKnight e Laura Barringer</p>
<p>O último do ano também foi o que mais me inspirou. Ao falar de abuso, é muito importante não só denunciar, mas apontar saídas dentro da vontade de Deus. O livro faz isso magistralmente, sem medo de citar nomes celebrados, mas sem deixar o leitor sem esperança. É assim que também quero terminar esta lista: com a esperança de um ano de mais consciência para a igreja e mais irmãos que possam acolher e cuidar de vítimas de abuso de todo tipo. Feliz 2023!</p>
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		<title>Top Ten de Leituras &#8211; 2021</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Jan 2022 05:10:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[Seguindo a tradição familiar (ou seja, daqui de casa, hehe), André publica seu top ten no dia 31, e eu, no primeiro dia do novo ano. A data ficou como...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo a tradição familiar (ou seja, daqui de casa, hehe), <a href="https://alvenancio.medium.com/top-ten-2021-d4b6f8f58446">André publica seu top ten no dia 31</a>, e eu, no primeiro dia do novo ano. A data ficou como dia 2, mas, tecnicamente, ainda é dia primeiro porque são duas horas da manhã. Vamos lá!</p>
<p><em>O caçador de pipas</em> (Hosseini)</p>
<p>Abri 2021 desejando leituras leves e cheguei a esse livro sem grandes expectativas, nem emocionais, nem literárias — só para perceber que de leve não tem quase nada. O forte do romance não é a linguagem, e sim a história, um soco no estômago que valeu a pena ter recebido.</p>
<p><em>Woody Allen: a autobiografia</em> (Woody Allen)</p>
<p>Esse sim foi uma das leituras leves e divertidas do ano, embora Woody tenha contado em mais pormenores a guerra contra sua ex, Mia Farrow, história assustadora mas crível do ponto de vista do cineasta.</p>
<p><em>Compramos um zoológico</em> (Benjamin Mee)</p>
<p>Essa foi a outra leitura leve e divertida do ano. Eu e André amamos bichos e lemos juntos, ele em voz alta enquanto eu fazia a comida ou arrumava a cozinha. Mee escreve bem, é um excelente piadista e foi o doido que resolveu morar dentro de um zoo, assumindo a administração sem nenhuma experiência prévia, mas saindo-se excepcionalmente bem. Ficamos com vontade de conhecer o local, na Inglaterra.</p>
<p><em>Abuso espiritual</em> (Alcione Emerich)</p>
<p><em>Feridos em nome de Deus</em> (Marília de Camargo César)</p>
<p>2021 foi o ano em que mergulhei fundo no estudo do tema <i>abuso</i> (espiritual, emocional, sexual). Não sei até que ponto o estresse de pesquisar o tema contribuiu para a piora da síndrome do intestino irritável, que me deixou sem conseguir me mover muito em outubro, mas certamente o descanso a que fui forçada me deu tempo para ler e processar muitos aprendizados. Essas duas obras, de autores brasileiros, ajudaram-me nisso. Continuarei a aprofundar minha compreensão do fenômeno do abuso, mas, se Deus quiser, eu o farei sem perder de vista os aspectos mais belos e prazerosos da vida.</p>
<p><em>Coisas que não quero saber</em> (Deborah Levy)</p>
<p><em>O homem que viu tudo</em> (Deborah Levy)</p>
<p>O primeiro me fisgou desde o primeiro parágrafo e o segundo me fez apaixonar. Foi sobre o segundo que tuitei: “É muito melhor ver tudo fragmentado, mas real, do que ver tudo coerente e ordenado, mas falso.” Levy transpôs isto não apenas para a história, mas para a linguagem. Essa convergência entre narração e forma é o que faz a grande literatura. Levy foi a descoberta literária do ano. Espero ler muitos outros ainda!</p>
<p><em>E se eu parasse de comprar</em> (Joanna Moura)</p>
<p>Acompanho o blog de Jojo, <i>Um ano sem Zara</i>, desde o comecinho. Recomendo esse livro para todos aqueles que sentem um impulso irresistível para compras e depois se arrependem. A franqueza da autora revela muitos insights sobre o descontrole no consumo que podem realmente ajudar quem teve ou ainda tem esse impulso.</p>
[Ainda sem nome] (Francine Walsh)</p>
<p>Tive o privilégio de prefaciar o livro da querida amiga Francine, que ainda não foi publicado mas o será em breve pela editora Dois Dedos de Teologia. Figuraria facilmente em uma lista minha das dez melhores obras sobre feminilidade bíblica. Deixou-me feliz pelo equilíbrio no trato dos assuntos (mesmo os mais sensíveis) e pela abordagem cheia de empatia e cuidado. Muitas autoras norteamericanas, na minha opinião, pecam por uma linguagem e um foco excessivamente duros e até autoritários, como se puxassem a orelha das leitoras a cada página. Francine não deixa de admoestar, mas escreve com amor — essa é sua maior qualidade. Editores, recomendo que fiquem de olho nas revelações locais. Que 2022 seja um ano com mais estreias brasileiras tão abençoadoras como essa!</p>
<p><em>Pode ser que eu morra hoje</em> (Emilio Garofalo Neto)</p>
<p>E por falar em bons autores nacionais, Emilio é um pastor apaixonado por literatura. Conta histórias deliciosas que nos fazem, a um só tempo, recuperar um gostinho de infância e nos deparar com as grandes e difíceis questões da vida. Deste, apeguei-me à frase: “Talvez a vida seja, no final das contas, crepuscular.” Deixo ao leitor o prazer acridoce da descoberta do contexto e do tema.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Boa leitura!</p>
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		<title>Confie!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2020 02:56:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Cristã]]></category>
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					<description><![CDATA[Quem leu meu livro A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã certamente vai lembrar de quando conto que, em 1995, troquei “love” por “Lord” na música “Oh my Love” do...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem leu meu livro <em>A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã</em> certamente vai lembrar de quando conto que, em 1995, troquei “love” por “Lord” na música “Oh my Love” do John Lennon para expressar meus sentimentos de nova convertida.</p>
<p><em>Oh my Lord for the first time in my life</em><br />
<em>My eyes are wide open</em><br />
<em>Oh my Lord for the first time in my life</em><br />
<em>My eyes can see</em><br />
<em>I see the wind</em><br />
<em>Oh, I see the trees</em><br />
<em>Everything is clear in my heart</em><br />
<em>I see the clouds</em><br />
<em>Oh, I see the sky</em><br />
<em>Everything is clear in our world</em><br />
<em>Oh my Lord for the first time in my life</em><br />
<em>My mind is wide open</em><br />
<em>Oh my Lord for the first time in my life</em><br />
<em>My mind can feel</em><br />
<em>I feel the sorrow</em><br />
<em>Oh, I feel dreams</em><br />
<em>Everything is clear in my heart</em><br />
<em>I feel life</em><br />
<em>Oh, I feel love</em><br />
<em>Everything is clear in our world</em></p>
<p>Hoje eu ouvi uma versão dessa música só com os vocais, e novamente me emocionei, porque a vida que estou vivendo agora me parecia impossível naquela época. Uma vida não perfeita, obviamente, mas feliz e cheia de propósito. Sinto-me “encaixada” como nunca estive.</p>
<p>Os percalços foram muitos. Em 1995 eu tinha 24 anos, hoje tenho 49. Já vivi mais da metade de minha vida com Jesus. Ao longo desses 25 anos, passei por muitos sofrimentos existenciais — havia muito o que curar, resolver, transformar. Passei pelo desespero de ver que alguns pecados não cediam facilmente, por trapalhadas financeiras, relacionamentos errados, uma ou outra crise de fé, uma depressão moderada.</p>
<p>Como diz outra música, do Coldplay, “Ninguém disse que seria fácil”. Mas com Jesus todo fardo é leve! E de vez em quando ele nos apresenta irmãos mais velhos na fé para mostrar luz lá na frente, quando tudo nos parece trevas. Eu tive os meus. Confie. Ele vai guiar você até lá.</p>
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		<title>Minha formação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jan 2020 21:09:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Cristã]]></category>
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					<description><![CDATA[Obs. Esse texto é um resumo de uma LIVE que fiz no Instagram, disponível em breve no canal Teologia &#38; Beleza do YouTube. Os três eixos de minha formação são...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Obs. Esse texto é um resumo de uma LIVE que fiz no Instagram, disponível em breve no canal Teologia &amp; Beleza do YouTube.</em></p>
<p>Os três eixos de minha formação são esses: literatura, teologia e consultoria de imagem.</p>
<p>Sou formada em Letras — sempre amei literatura e, depois de tentar psicologia e jornalismo, sem gostar, resolvi seguir minha paixão. Na época nem pensava em dar aulas. Optei por Português-Francês, já que havia começado a estudar a língua aos 11 anos.</p>
<p>Eu me converti na graduação e foi muito doloroso perceber que os estudos literários pressupunham uma cosmovisão ateia/agnóstica, com grande ênfase na negação da transcendência. Admitia-se a ânsia do homem por algo além, mas colocava-se a arte nesse lugar: a única transcendência verdadeira e/ou possível era a arte.</p>
<p>Sofri uma agonia intensa no mestrado e no doutorado porque queria entender a relação entre a arte e a verdadeira transcendência, segundo a fé cristã, mas não conhecia autor que trabalhasse a partir desse pressuposto. E isso também não estava claro para mim na época. O único autor de que realmente gostei foi René Girard, mas foi só depois do doutorado que eu reconheci isso ao ponto de entender seus conceitos, que me foram de grande valia acadêmica e existencialmente.</p>
<p>Em 2005, eu tinha aberto um blog onde escrevia sobre todas essas coisas. Através do blog, conheci os queridos amigos Augustus Nicodemus, Solano Portela, Mauro Meister e Davi Charles Gomes, que foram muito importantes para me estimular, fortalecendo em mim a convicção de que eu podia abençoar a igreja através de meus textos. Eles viram um grande valor no que eu escrevia, mesmo eu não tendo estudo teológico formal. Davi me estimulou a fazer uma pós no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ), no Mackenzie, que ele mesmo organizou e dirigia na época. Eu amei a ideia.</p>
<p>Depois que terminei o doutorado, conheci André (meu marido) e me mudei para São Carlos, onde ele morava e onde nós nos casamos. Comecei então a estudar no CPAJ, na sub-área Teologia Filosófica, e foi um divisor de águas para minha cosmovisão. Considero o livro <em>Calvinismo</em>, de Abraham Kuyper, a &#8220;abertura de portões&#8221; para a tradição reformada, com uma solidez maior de cosmovisão cristã. Eu e André lemos juntos e ele também foi grandemente impactado.</p>
<p>Outros autores que me marcaram e ainda são norteadores para mim são Cornelius Van Til*, Herman Dooyeweerd** e John Frame***. São leituras que me fazem glorificar a Deus. É interessante dizer isso, mas eu glorifico mais a Deus com esse tipo de leitura, que &#8220;arruma&#8221; a mente e debate de modo profundo as três pontas do conhecimento — quem é Deus, o que é o mundo e quem somos nós. Livros do tipo devocional até acho importantes, mas não me aquecem tanto o coração, provavelmente porque sou uma pessoa teorética: na compreensão organizada das verdades de Deus — e aqui não é uma organização sistemática necessariamente, muito pelo contrário — eu sou fortalecida de modo especial. Mas atenção: eu me beneficiei grandemente da leitura copiosa de Francis Schaeffer**** antes deles. Recomendo que você também o faça.</p>
<p>No meio do CPAJ, Jonas Madureira me convidou para compilar os artigos do blog em livro, publicado em 2012 pela Vida Nova com o título <em>A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã</em>. Nele, eu critico tanto a cultura materialista e totalitária de nosso tempo quanto a teologia liberal que invadiu parte dos seminários do país; mas também contei como me converti, &#8220;pescada&#8221; com jazz ao vivo dentro de um supermercado, e redigi peças curtas de ficção. Do livro, são os textos mais pessoais e criativos que prefiro.</p>
<p>Eu ainda não havia escolhido o tema da minha dissertação quando tive subitamente a ideia de mergulhar em um assunto que já me inquietava: a idolatria. Explico. Ao longo do curso, eu sentia uma necessidade muito forte de embelezar-me, de encontrar uma imagem que me agradasse, mas não assumia completamente esse desejo por achar que era algo fútil. Por não assumi-lo, o desejo me “tomava&#8221;: eu me descontrolava indo a shoppings e comprando mais do que precisava — roupas, acessórios, maquiagem —, e o fazia indiscriminadamente, só para morrer de culpa depois. Entendi que isso era uma manifestação de idolatria e resolvi estudá-la para compreender melhor o que estava acontecendo comigo.</p>
<p>Foi assim que minha dissertação do mestrado realizou uma aproximação entre a tradição reformada e a teoria mimética de René Girard, que eu analisei como uma descrição da estrutura da idolatria. Girard é um autor católico que percebeu muitas verdades em sua leitura da Bíblia. Não manifesta muito interesse em teologia, mas sua antropologia tem bases cristãs fortes que vale a pena conhecer, se você entender que a teologia implícita dele contraria aspectos importantes da tradição reformada.</p>
<p>Após aprofundar a percepção, com Kuyper, de que não há um centímetro quadrado em todos os domínios de nossa existência que não pertença a Cristo — um dos mais poderosos antídotos contra a idolatria — , entendi como algo bom e desejável o crescimento de meu interesse pela imagem, colocando-o diante de Deus; com a boa teologia do Jumper e minhas constantes orações, essa busca deixou de ser uma fonte de angústia para mim. Eu descobria afinal que teologia e beleza podem andar juntas! Estudei informalmente o tema por alguns anos até resolver fazer uma formação em consultoria de imagem em 2017, com Patricia Marques da Closet Inteligente, e uma segunda formação em 2018, com Érica Minchin, para solidificar os conteúdos e compreender melhor as identidades dos estilos pessoais. Transformei aquela paixão por encontrar uma imagem que me representasse em um trabalho que tem me dado grande prazer. E o interesse teorético continuou, dessa vez mais centrado: abri o site Teologia &amp; Beleza para juntar tudo isso, arte, teologia e consultoria. Coloquei um blog dentro do site, trazendo ali os artigos mais amados que se coadunam com a proposta e adicionando novos. Acima de tudo, quero trazer a lume as profundas interrelações entre a beleza de Deus, a beleza da criação, a beleza da arte e a beleza pessoal, descobrindo-as continuamente a cada dia e abençoando a igreja com um olhar mais abrangente e admirativo da multiforme sabedoria de Deus.</p>
<p>* Você pode começar com <em>Apologética cristã </em>e <em>O pastor reformado e o pensamento moderno.</em></p>
<p>**Por ser filósofo, Dooyeweerd é melhor compreendido após uma boa introdução. A que eu li foi <em>Contornos de uma filosofia cristã</em>, de Kalsbeek.</p>
<p>***Sou apaixonada pelo triperspectivalismo, desenvolvido por Frame e seu companheiro teorético Vern Poythress. Só há introdução ao trip (como chamo carinhosamente) em inglês, mas é excelente: <em>Theology in Three Dimensions</em>, disponível em Kindle. Mas o trip está presente como pressuposto em várias obras de Frame e Poythress traduzidas para o português. De Frame, destaco o apaixonante <em>Doutrina do conhecimento de Deus</em>, um desses livros que me fazem louvar a Deus a cada página.</p>
<p>****Recomendo especialmente a trilogia <em>O Deus que se revela</em>, <em>O Deus que intervém</em> e <em>A morte da razão</em>. E também <em>Verdadeira espiritualidade</em>, <em>O grande desastre evangélico</em>, <em>No Little People</em>, <em>Letters</em> e todos os que você encontrar desse grande mestre, que era pessoalmente acessível aos estudantes confusos e os recebia em casa, falando-lhes à mente e ao coração.</p>
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		<title>Uma retrospectiva pessoal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Dec 2019 16:19:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[Passei rápido no vestibular, mas perambulei por Psicologia e Jornalismo até decidir a faculdade que queria: Letras. Ainda assim, levei o dobro do tempo de uma graduação para completar o...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Passei rápido no vestibular, mas perambulei por Psicologia e Jornalismo até decidir a faculdade que queria: Letras. Ainda assim, levei o dobro do tempo de uma graduação para completar o curso.</p>
<p>Converti-me aos 24 anos, no meio da graduação. Fiz mestrado e doutorado em literatura francesa, só para descobrir que a carreira acadêmica em Letras já não era tão atraente para mim, por dois motivos principais: meu maior desejo era entender a arte a partir da teologia cristã, e para isso eu precisaria de liberdade para ler o que quisesse e estabelecer minha própria trajetória.</p>
<p>Fui professora de francês por toda a vida, e das boas, mas enjoei quase completamente (sempre amarei o idioma).</p>
<p>Conheci o amor da minha vida aos 37 e casei dois anos depois, em julho de 2010. Em outubro, engravidei e perdi o bebê com cinco meses de gestação. Parei de comer glúten logo após, quando descobri que melhorava da enxaqueca, e de tomar leite e derivados em 2011, após o teste de intolerância à lactose. Eu e André passamos um ano em Salvador, um ano em Fortaleza e estamos em Natal há sete anos. Desde então, descobri várias doenças: Hashimoto, Adenomiose, Condromalácia. Comecei a fazer o Protocolo da Vitamina D para doenças autoimunes e o médico associou minhas condições não tratadas à perda do bebê. Nesses anos, passei por fases de melhora, mas nunca me senti consistentemente bem.</p>
<p>No campo emocional, lutei com questões fundamentais, sobre meu passado, durante muitos anos, até uma depressão quase me derrubar e eu ser ajudada de um modo pouco convencional, mas muito bíblico!</p>
<p>Olhando para trás, percebo espantada que 2019 foi um ano de definições: resultados de processos antigos e longos, com o estabelecimento de decisões duráveis.</p>
<p>Em janeiro, defendi minha dissertação sobre idolatria no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper — um curso confessional com professores mais que professores, amigos, cujas aulas me transformaram de modos que jamais conseguirei expressar inteiramente. O tema surgiu de um dualismo que percebi em mim mesma: estava mantendo em separado meus interesses teológicos e meu desejo de melhorar a própria imagem, excessivo a meus olhos. Nesse caso, o desejo excessivo e descontrolado, traduzido em muitas compras, precisava ser trazido à presença de Deus e compreendido pelo prisma de uma cosmovisão cristã. Com a boa teologia do Jumper, fui bem-sucedida nisso — tão bem-sucedida, na verdade, que decidi levar o combate ao dualismo para essa arena, em duas frentes: a beleza teórica-teológica e a beleza feminina.</p>
<p>Então compreendi que a <b>beleza</b> — divina, criacional, artística — está no centro de minha vocação. Em fevereiro, terminei minha primeira formação como consultora de imagem, com Patrícia Marques da <a href="http://www.closetinteligente.com.br">Closet Inteligente</a>, que carinhosamente me ajudou a decidir enveredar por essa área com passos mais seguros; meses depois, completei uma segunda formação mais curta, com <a href="http://www.ericaminchin.com">Érica Minchin</a>, uma questionadora incansável que também ama literatura — a identificação foi inevitável! Ambas foram fundamentais para a consultora que sou hoje (e ainda quero ser, pois estamos sempre em processo!). Além de amar trabalhar com gente, entendo que essa prática é parte importante de minha vocação no Reino de Deus, iluminando e dando consistência aos aspectos teóricos que também me fascinam.</p>
<p>Em maio, por indicação do meu amigo Yago Martins, contactei o Fernando Sergio da <a href="https://agenciadoreino.com.br">Agência do Reino</a> para me ajudar nesse projeto. Depois de quinze anos sendo lida e ouvida pela igreja, inaugurei no dia 12 de outubro a “criança” só minha, meu primeiro site com domínio próprio, Teologia &amp; Beleza, explicitando esse novo foco — que na verdade nunca foi novo (quem leu <a href="https://vidanova.com.br/424-mente-cristo.html"><em>A mente de Cristo</em></a> sabe), mas Deus precisou trabalhar em mim para que eu abraçasse essa vocação mais específica com reconhecimento, garra e alegria.</p>
<p>Em novembro, depois de uma terceira crise violenta de sangramento intestinal, resolvi responsabilizar-me por tudo o que já havia lido sobre o assunto da alimentação e considerar-me celíaca. Encarei o fato (provado pelos especialistas) de que não existe intolerância ao glúten tal como existe ao leite: quem tem problemas com glúten precisa tomar cuidado com a mínima poeirinha. Isso implicou o sacrifício não só de abster-me de glúten (o que já fazia), mas de abster-me de qualquer alimento que tenha sido preparado em cozinhas onde há a presença de glúten. Em Natal, isso significou nunca mais comer fora de casa. Mas sinto pela primeira vez que meu intestino se recupera bem. E os sintomas neurológicos estão desaparecendo de modo mais consistente, o que me tornou muito mais capaz de cumprir as tarefas do final de ano.</p>
<p>O que não mudou? O amor pela escrita e a busca de sentidos pessoais, ou seja, a tentativa de registrar o vislumbre dos desenhos que Deus tece nessa tapeçaria que é nossa vida.</p>
<p>No finalzinho deste mês de dezembro, apesar de não estar em plena forma — enxaqueca de TPM, barriga estufada, dores no corpo e feridas nos pés por ter caído de um banco de plástico que se quebrou —, consegui ter dias plenamente produtivos. Após constatar que o objetivo que estabeleci em janeiro de 2019 (foco na disciplina) ainda precisava de ajustes, pus no papel todas as atividades que quero e preciso incorporar ao dia-a-dia: devocional, exercício físico (esse não foi cumprido por motivos óbvios), postagens no Instagram e no site, marcação de consultas médicas, análises e elaboração de dossiês para as consultorias, estudos. Ainda tive a coragem de anotar todas as leituras começadas e inacabadas, de anos, chegando a dezoito itens, que coloquei em ordem de prioridade para 2020. Já consegui terminar um. Dada a minha proverbial desorganização de uma vida inteira, considero essa rotina um milagre a cada vez que se repete.</p>
<p>Uma palavra para você: não tenha pressa. A vida não se resolve em um dia e nem em poucos anos. Deus sabe o que faz.</p>
<p>Senhor, obrigada pelos milagres sucessivos. Que venham mais em 2020!</p>
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		<title>Os livros da minha vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Dec 2019 23:33:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Cristã]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana, perguntei no Instagram: “Quais são os seus livros da vida?” As respostas foram variadas. Apareceram não só pensadores cristãos de peso como Agostinho, C. S. Lewis, Francis Schaeffer, João Calvino, mas também vários e excelentes romances. Fiquei feliz com a quantidade de literatura presente!</p>
<p>Então quis trazer aqui uma lista dos livros que mais me marcaram na vida. Já aviso, conforme disse na enquete, que a Bíblia é <i>hors concours</i>, ou seja, tão vencedora soberana de qualquer lista que nem precisa ser mencionada. Vamos lá.</p>
<p><b>Na infância</b> — Costumo dizer que aprendi a escrever com Monteiro Lobato. Amo principalmente <i>Gramática da Emília</i>, <i>Viagem ao céu </i>e <i>Os doze trabalhos de Hércules</i>… mas qualquer um é um regalo. Confesso que não li muito de sua obra para adultos, mas gostei demais da coletânea de cartas <i>A barca de Gleyre</i>. Lobato era um humanista confuso e empolgado com o progresso do Brasil que, ao desiludir-se de vez, voltou-se para o mundo das crianças e aí, sim, prestou um serviço enorme à literatura do país.</p>
<p><b>Na pré-adolescência</b> — Adorava Fernando Sabino, naquela coleção Para Gostar de Ler. Cheguei a deixar um presente com o porteiro do prédio dele, em Ipanema: um vinil de jazz. José Mauro de Vasconcelos me partiu o coração de vidro com <i>Meu pé de laranja lima</i>: o amor filial de Zezé pelo “Portuga” ecoava o meu por minha avó paterna, que morreu quando eu tinha nove anos de idade. Maria José Dupré tocou de novo as cordas sensíveis da minha solidão ao escrever <i>Éramos seis</i>. E aos 14 Anne Frank se tornou minha melhor amiga póstuma.</p>
<p><b>Literatura francesa</b> — Por ser a área de meus estudos em Letras, acabei lendo literatura francesa mais que qualquer outra. <i>Le Cid</i>, de Corneille, traz um tema anacrônico — o conflito entre amor e honra no século XVII — mas me fez chorar duas vezes: uma universalidade que ainda preciso compreender melhor. Poemas em prosa de Baudelaire são leituras nem sempre agradáveis, mas recompensadoras para o pensamento e a imaginação. Fred Vargas é a melhor autora de livros policiais do mundo. Amélie Nothomb (que na verdade é belga, assim como Tintin) escreve de modo maravilhosamente pessoal; eu comporia um artigo enorme sobre <i>Higiene do assassino</i>, que me ajudou muito a entender a idolatria. Outro autor que trata do tema, René Girard, foi objeto de dissertação do meu mestrado em teologia. Li quase tudo dele, mas o que detonou toda essa reflexão sobre a idolatria (e de quebra me tirou de uma situação existencial intolerável) foi <i>Mentira romântica, verdade romanesca</i>. De Julien Green, <i>Le visionnaire</i> é um romance que homenageia a arte literária; um dos poucos que, ao acabar de ler, chorei de saudade. Ainda acho a prosa de Green — um francês anglicizado — uma das mais bonitas. Pena que esse não tem tradução. Amo igualmente a peça de teatro <i>Arte</i>, de Yasmina Reza (falei dela em artigo no <i>Coram Deo, a vida perante Deus: ensaios em honra a Wadislau Gomes</i> — figurar ali foi uma honra enorme para mim!). Nothomb e Reza são contemporâneas vivas: a primeira tem 53 anos e a segunda, 60.</p>
<p><b>Literatura mundial</b> — <i>1984</i>, de George Orwell, foi a semente do evangelho que Deus lançou em mim após escavar o solo, assim como Aslam arranca a pele de Eustáquio. Um dia conto. Livros do Nelson Rodrigues (mais as crônicas que os contos) me prepararam moralmente, fazendo-me questionar a mentalidade e os pressupostos da esquerda <i>muerte!</i> ainda em voga entre nós. <i>O grande Gatsby</i>, de Fitzgerald, deu-me de presente mais uma dolorida perspectiva da idolatria. Thomas Mann, com <i>Os Buddenbrook</i>, embalou-me em uma prosa inesquecível, tornando os acontecimentos mais cotidianos dessa família algo digno de lembrança; ainda estou lendo <i>A montanha mágica</i>. Também gostei muito de <i>O sol é para todos</i>, de Harper Lee, e <i>Gilead</i>, de Marilynne Robinson. Deve haver outros, mas estou citando de cabeça para que as menções sejam espontâneas.</p>
<p><b>Teologia</b> — Aqui, todos os que li dos gigantes João Calvino, Francis Schaeffer, C.S. Lewis, Cornelius Van Til, Herman Dooyeweerd, John Frame. Destaque para <i>Calvinismo</i>, do Kuyper, que me abriu as portas da cosmovisão reformada, e <i>Idols for Destruction</i>, do Schlossberg, que complexificou abismalmente as problemáticas atuais. As novidades foram <i>Coisas da terra</i>, do Rigney, e <i>Notas da xícara maluca</i>, do Wilson, que ajustam e organizam, em nossas mentes, o motivo Criação (estamos precisando!).</p>
<p>Deus os abençoe e lhes dê leituras maravilhosas para o novo ano!</p>
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		<title>Reminiscência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jul 2019 19:09:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Organizando meu iTunes, fui criar uma lista com músicas de Paul McCartney, quando me deparei com um leve mal estar: não combinava misturar as músicas que eu ouvia quando menor (Another Day, Pipes of Peace, Coming Up) com as músicas que passei a conhecer mais recentemente (Ram On, The Back Seat of my Car), mesmo que fossem da mesma época.</p>
<p>Por quê? Pensei melhor e construí rapidamente uma pequena teoria — que, na pior das hipóteses, só se aplica a mim mesma. Quando somos menores (infância e parte da adolescência), o contato com a cultura é também uma busca identitária. Nós nos projetamos para nos encontrar no outro. No caso específico de Paul ou dos Beatles, quando ouço aquelas músicas marcadas pelo tempo, sinto bastante prazer ainda, mas preciso estar em uma certa &#8220;onda&#8221; nostálgica. Ou narcísica: é como se a música estivesse se entranhado tão profundamente em mim que eu a ouço vinda do meu próprio corpo, não das caixas de som. Como quem revisita antigos cadernos e lembra de certos sentimentos, certos cheiros, detalhes esquecidos de certos ambientes.</p>
<p>É um processo totalmente diferente da escuta atual, que não me parece tanto uma projeção, mas o movimento inverso: de acolhimento de um outro que se agrega em mim, mas permanece outro. E esse processo coincidiu, no meu caso, com a entrada na fase adulta. Por exemplo, ouço Dave Brubeck desde os meus dezoito anos, e ainda ouço do mesmo jeito. Mas a maioria das músicas dos Beatles, que comecei a ouvir aos nove anos (e era beatlemaníaca aos quatorze), talvez sejam para sempre reminiscência.</p>
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		<title>Rossini e Ray Conniff</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Dec 2014 18:10:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="Gioacchino Rossini - La gazza ladra - Overture" width="1080" height="810" src="https://www.youtube.com/embed/3MRvDGd02mA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Desconheço peças instrumentais tão engraçadas quanto as de Rossini ou Ray Conniff. Apesar das muitas características que os distinguem — época, estilo, o primeiro compositor e o segundo arranjador — , ambos são mestres em apresentar aos ouvintes o ridículo inerente à condição humana. (Aqui penso, sobretudo, na abertura de La Gazza Ladra — vídeo acima — e em Brazil.) Mas assinalo uma diferença fundamental: enquanto Rossini me emociona, Ray Conniff apenas me faz rir. E, à parte as qualidades musicais, talvez seja dessa natureza o abismo que os separa — o ridículo de Conniff, provavelmente inadvertido, resulta do contraste que há na abundância sentimentalista executada com perfeição formal; já o ridículo de Rossini é multifacetado como uma cosmovisão, com seus aspectos heroicos, trágicos, líricos, e subjaz às narrativas de todos nós.</p>
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		<title>Você já ouviu Stênio Marcius?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Nov 2013 18:06:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[Em toda a música brasileira cristã, não há ninguém, em minha opinião, que se compare a Stênio Marcius em termos de qualidade e profundidade. Além disso, é um homem humilde...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="Coríntios 13" width="1080" height="608" src="https://www.youtube.com/embed/DFKRBNiYKqA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Em toda a música brasileira cristã, não há ninguém, em minha opinião, que se compare a Stênio Marcius em termos de qualidade e profundidade. Além disso, é um homem humilde e sincero em sua fé, que eu tenho o privilégio de contar entre meus amigos. Não deixe de ouvir!</p>
<p><b>Coríntios 13</b></p>
<p>Quisera eu falar as línguas das nações<br />
E aos povos irmanar em puras intenções<br />
Deve ser doce, enfim, a língua angelical<br />
Clamar com os serafins o Nome sem igual<br />
E se eu profetizar, mistérios desvendar<br />
Saber qual a razão de estrelas na amplidão<br />
Se eu não tiver amor, de nada valerá<br />
Eu viverei só pra saber o que é viver em vão<br />
Quisera fé maior pra que eu vencesse o mal<br />
E ao Pai servir melhor, pureza mais real<br />
Oferecer os bens a quem mais precisar<br />
Ir longe, muito além, a vida entregar<br />
E eu, que nada sou, não tenho muito a dar<br />
Mas se eu tiver amor na vida que eu levar<br />
Eu saberei então que o pouco que eu fiz<br />
Não foi em vão, valeu a pena sentir meu Deus feliz!</p>
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		<title>Brilho eterno de uma mente sem lembranças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Norma Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Feb 2007 18:02:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Cristã]]></category>
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		<div id="fws_69bd3be4d2b2b"  data-midnight="dark"  data-bg-mobile-hidden="" class="wpb_row vc_row-fluid vc_row top-level standard_section "  style="padding-top: 0px; padding-bottom: 0px; "><div class="row-bg-wrap" data-bg-animation="none"><div class="inner-wrap"><div class="row-bg"  style=""></div></div><div class="row-bg-overlay" ></div></div><div class="col span_12 dark left">
	<div  class="vc_col-sm-12 wpb_column column_container vc_column_container col no-extra-padding"  data-t-w-inherits="default" data-border-radius="none" data-shadow="none" data-border-animation="" data-border-animation-delay="" data-border-width="none" data-border-style="solid" data-border-color="" data-bg-cover="" data-padding-pos="all" data-has-bg-color="false" data-bg-color="" data-bg-opacity="1" data-hover-bg="" data-hover-bg-opacity="1" data-animation="" data-delay="0" ><div class="column-bg-overlay"></div>
		<div class="vc_column-inner">
			<div class="wpb_wrapper">
				
<div class="wpb_text_column wpb_content_element " >
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		<p>Vi no carnaval de 2007 o filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças. A música-tema, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=WIVh8Mu1a4Q"><em>Everybody’s got to learn sometime</em></a>, uma regravação de Beck ainda mais arrasadora (e bela) que a original, toca inteira no fim e fica na cabeça durante muito tempo. A vontade é repetir, repetir, repetir. E fazer voltar alguns dos sentimentos vividos durante a história de Joel e Clementine.</p>
<p>Nesse filme, o personagem de Jim Carrey é o oposto de todos os anteriores: tímido, calado, fechado, contido até nos movimentos. Não há comicidade alguma nele, o que só o faz contrastar mais ainda com a garota de cabelos azuis/verdes/vermelhos/cor-de-rosa vivida por Kate Winslet. Um casal que tem tudo para dar certo não pelas identificações, mas pela complementaridade.</p>
<p>O relacionamento, no entanto, não corre bem, e logo a impulsiva moça do casal – e isso está na sinopse, não corro o risco de estragar o filme para quem não viu – decide lançar mão dos serviços de uma empresa que “apaga memórias”. Até aqui, nada de tão criativo: já fomos apresentados à idéia da manipulação de conteúdos do cérebro em outros filmes. O que comove neste é que o amor supera a tecnologia, a ciência, as predições e mesmo a relutância humana em enfrentar as más lembranças. Prevalece um violento desejo de recomeçar não do zero, mas dos fracassos. Everybody’s got to learn sometime.</p>
<p>Da história, na época, ficaram-me dois sentimentos bem marcados: um, mais evidente, a ausência de alguém em quem depositar as esperanças de uma cumplicidade e uma intimidade totais; outro, aliviador, a alegria de saber que minhas memórias jamais serão tiradas de mim – e que em Deus, o Pai de todo sentido, as dores não foram em vão.</p>
<p><strong>Adendo de 2019:</strong> Vi o filme em 2007. Meses depois, conheci André, com quem me casei em 2010. Percebi que, através desse filme, Deus estava mexendo nesses sentimentos antigos para que eu começasse a me preparar para o relacionamento mais importante da minha vida. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f642.png" alt="🙂" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
	</div>
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