Cristãos falam muito sobre a submissão feminina, contra e a favor, mas raramente definem com precisão o que querem dizer com o termo.
   O que eu quero dizer com o termo? Comecemos pelo que eu não quero dizer:
   – Submissão não é adotar uma atitude exterior: falar em voz baixa, evitar falar muito, ser tímida, vestir-se de determinado modo, aderir verbalmente a certas doutrinas. É possível demonstrar tudo isso e continuar manobrando por baixo dos panos as rédeas do casamento.
   – Submissão não é de toda mulher para com todo homem. Além de, na prática, isso ser virtualmente impossível, cada pessoa deve submissão apenas à autoridade que está constituída sobre si.
   – Submissão não é algo que um namorado possa pedir à namorada. Ela deve ser livre para questionar o quanto quiser esse relacionamento, pois tem liberdade para decidir não casar-se. Namoro é teste, é experimento, é conhecimento mútuo; não há autoridade nem sacrifício envolvidos. Também por isso, usar a boca mais para conversar que para beijar é um bom conselho.
   – Do lado do marido, submissão bíblica não é aproveitar-se de toda situação para que só ele decida tudo sozinho. “Não é bom que o homem esteja só” se aplica aqui. Abusar de sua autoridade significa estabelecer-se como ídolo sobre a esposa, tratando-a como se ela fosse uma adoradora do marido e não como pessoa independente e companheira amada que o ajuda em tudo na vida, por ser ele mesmo falho e necessitado de ajuda. Sua ênfase deve ser levá-la a adorar mais e melhor a Jesus, e não a si. Um marido tirano acaba contribuindo com o trabalho do Demônio: ele afasta a esposa de Cristo ao substituir Cristo. Ele precisa desistir da idolatria do eu e valorizá-la mais que a qualquer outra pessoa — ao ponto de sacrificar sua própria vida por ela — para de fato ser um bom marido.
   – Do lado da esposa, submissão bíblica não é anular-se, ignorando valores pessoais, opiniões e desejos. Não é comportar-se com medo de desagradar o marido a cada passo. Não é votar no candidato dele só porque ele o apóia! Se ela fizer isso — substituir sua responsabilidade pela dele, tornar-se dependente dele e calar seus sentimentos o tempo todo —, estará sob jugo de idolatria, como se o marido fosse Deus (um deus tirano!) em vez de posicionar-se em analogia com Jesus. Se o próprio Deus nos estimula a orar sobre nossas discordâncias com Ele (“arrazoemos”, diz o Senhor), imagine então se o homem não puder ser contrariado? O resultado também será o afastamento de Cristo e um relacionamento conjugal doentio. O marido peca, e muito! Ele precisará de toda ajuda possível dela para ser confrontado, com respeito e amor, mas firmeza.
   A submissão é um processo construído por ambos em amor. O marido pede submissão sem empregar a força para não perder a razão. A esposa presta submissão sem diminuir-se nem esquecer que sua identidade está em Cristo, não no marido. É um aprendizado em que o marido se fortalece com o respeito da esposa, e a esposa descansa ao ver que sua confiança no marido é recompensada com provas de amor verdadeiras.
   Para ambos deve estar claro o limite da submissão, que é o mesmo limite da obediência a qualquer outro tipo de liderança: se o marido manda que ela peque — ou seja, que desobedeça a Deus em qualquer aspecto claro da Bíblia —, ela precisa negar-se a isso. Importante: se há dúvidas sobre casos específicos (ou seja, ela acha algo pecado e ele não acha) e ele a força a ir contra a convicção dela, isso se configura violação de consciência. É muito grave. Dificilmente a esposa manterá o respeito pelo marido caso ele não se arrependa desse tipo de atitude.
   Aguarde a Parte 2, em que eu direi o que é, a meu ver, a submissão bíblica.

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