Muitas vezes, “amar-se” às vezes significará uma série de atitudes irreconhecidas que, analisadas de perto, ninguém em sã consciência poderá interpretar como manifestações de amor próprio: paralisar-se diante de desafios, sabotar os próprios planos, ignorar seus pontos fortes, adiar tarefas penosas, xingar-se secretamente, lamber feridas e sentir-se sempre o último da fila. Nada disso é agradável, lisonjeiro, produtivo. Mas é mais um jeito que o pecado arrumou para nos manter longe de Deus e longe de posturas abençoadoras: autodestruição com máscara de autopreservação. Nesses casos, a tendência é tão arraigada que o esforço precisa ser diário para não fugir da verdade que o próprio Deus nos comunicou: Ele nos ama; Ele perdoou nossas faltas; Ele nos olha através de Jesus e nos santifica dia a dia. Não está mais irado conosco, sem se impacienta por nossos recorrentes pecados, mas nos leva pela mão e com ternura contempla o estágio em que estamos, como um Pai. O olhar Dele é infinitamente melhor que o nosso, e nos dignifica ao mesmo tempo em que preserva nossa realidade como criaturas. Por isso, até para nos amar — ou seja, para pensar em nós mesmos devidamente (Rm 12.3) — precisamos do amor de Deus.

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